quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Um poema conjunto

 

Estava na aula de Literaturas Marginais                              

E achei que não íamos trabalhar mais

Mas o professor mencionou as notas finais

E pediu que escrevêssemos frases que tais

(Rita)


Eu cá já estou um pouco cansada,

Mas qual será a verdadeira maçada

De escrever sem ou com magia

Poesia?

(Marília)


Estar nesta faculdade a fim de realizar

Uma frequência da unidade curricular x.

Alguém dê a miséria da educação?

(Desconhecido/a)


Já eu achava que a minha letra

era legível, mas agora começo a duvidar.

Depois deste exercício nada tenho conseguido decifrar,

Talvez só entenda a minha por ser eu a desenhar?

(Catarina G.)


Só porque o semestre estava a acabar

os alunos estavam a pensar

Que o professor Rui Zink

Trabalho não nos ia dar.

(Íris)


Mal fiz blink

Logo um exercício nos pediu para realizar!

Mas nada temam, colegas

Estamos nisto juntos

Esta é a aula final

Feliz Natal!

(Rita)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

🧐

Qual é o teu calibre?

                                                      Marília 

Não uso armas.

                                                     Rita

Sabes que não falo disso 

                                                      Pau 

Há forma de demonstrar?

                                                     Anton

Demonstrar? Prefiro deixar que descubras sozinho.

                                                     M. Reis

Demonstrar o quê? Que no fundo somos armas de palavras. Ok.

                                                      Íris

Palavras acertam em cheio no cérebro Oração legal

                                                      Marta 

Mas matam ou só magoam? 

                                                       Matilde

Depende de que armas estamos a falar.

                                                        Diana 

Epa na minha cabeça já sei uma e dentro da tua qual vai?

                                                      Samuel

Pelo sim pelo não, ando sempre de capacete!

                                                       Cris

Mas tens mota?                           

                                                          Inês

Não!  Já fiquei traumatizado com a de condução.                                                      Não preciso de mais!

                                                        Samuel

Sempre soube que eras mais de descidas!

                                                     (Anónimo)

Sim, sim, sou. Não sabias de uma coisa dessas? Desde pequeno.

Sabia, acabei de o dizer!

Hmmm...

                                                        Marília 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Do termómetro ao relógio

Sobre o exercício feito em aula... 

Estão 18º lá fora, mas estou cheia de frio. 

Mª Letícia

Acho que a sensação térmica está como o meu coração, ou seja, eu sou amável, mas os outros dizem que eu sou fria. 

Diana

Se fosse uma estação do ano seria a primavera, tempo ameno e com cores bonitas. 

Marta

Epá são é malucos porque lidar com frio nem que me paguem.

Samuel

Queria estar no verão como os seus 30º. 

Íris

Mas isso também não; é muito calor! Uns 25º estava bom. 

Matilde

Meteorologia é a maior conversa desconversada! Parecemos primos que não se veem há -- desde o Natal passado? 

Inês 

Quando não sabemos o que dizer, qualquer assunto é assunto. 

Mafalda

Falar do tempo é uma alternativa quando não sabemos o que dizer. 

Joana

Será que o tempo carrega consigo algum simbolismo? 

Tatiana

Epá, não sei! Acredito que sim! 

Marília

Sim, senhoras e senhores. 

Mas o problema do frio

Nos estabelecimentos universitários

Está muito acalorado.

Falta que os corações não estão gélidos. 

Deus 

O tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem, e o tempo respondeu ao tempo, que o tempo tem o tempo que o tempo tem. 

Diana



 





Quantas camadas tem uma cebola?

Clara ficou de nariz negro ao embater no chão. (Inês Fonseca)

Tive que ir à farmácia comprar um penso, (Luís)

mas mais valia estar quieto que ela é pobre e mal agradecida. (Samuel)

Tenho o nariz roxo com bordas amarelas, cores complementares. (Marta)

Ela devia ter sido descascada por mim, (Marília)

mas ao invés descascou o nariz. (Rita)

Coitada... (Joana)

Ao menos ainda tem o osso. (Inês Fonseca)

Exercício do Luís Vieira

 A pedido do colega Luís Vieira coloco o exercício que resultou do elemento praticado em aula:


Quando passares por Alenquer deixa o burro no presépio, disse o senhor um, dois, três de Oliveira quatro.

(Luís)

Não sem antes o alimentar. E que o agasalhe, nem o seu pelo resiste ao frio.

(Inês Fonseca)

Não o podemos banhar? Tem de estar cheirinho para no presépio estar.

(Íris Oliveira)

Daqui a pouco estamos a vestir uma roupa toda catita da Hello Kitty!

(Samuel Santos)

Até faria inveja à vaquinha, sua amiga.

(Inês Fonseca)

Também faria inveja ao menino Jesus, que foi parido e nem foi lavado. 

(Diana)

E coitado, ainda por cima deve estar gelado.

(Frederico)

E nem sequer tem ar condicionado!

(Rita)

Pobre menino! Tão novo e em todo o lado!

(Marília)

Carrega nos ombros um peso do passado.

(Mafalda)

Ai tão novo e já tão sofrido...

Mas valeu a pena. Daqui a uns dias fica rico com a visita dos Reis Magos!

(Luís)

Da saga a única esplanada com faculdade...

Vá pronto vou confessar! O que me parecia ao início um exercício assustador com o resultado que poderia obter foi uma experiência curiosa.


 Eu estou aqui, mas a vontade maior é estar na esplanada com os pés esticados e a pensar em tudo menos marginais

(Samuel Santos)

Alguém me veio perguntar se tinha isqueiro. Outro a tentar vender o tabaco em troca de dinheiro para almoço.

(Marta Pinhal)

Eu respondi que não tinha e o gajo ainda me insultou, parecia aqueles mendigos que pedem no metro para comprar comida para o cão que nem têm. 

(Diana Oliveira)

Sempre soube que isso era um truque, a maior burla. 

(Inês Fonseca)

Bom pelo menos não estão a roubar. Quer dizer até estão, mas é à vista de toda a gente.

(Diana Oliveira)

Serão maiores ou menores ladrões? Tudo por isqueiros!

(Inês Fonseca)

Mete lá menos tabaco nesta conversa! Pelo menos estão a trabalhar às claras.

(Matilde Cabana)

E se um dia a luz acabar?

(Maria Letícia)

Voltamos ao jogo dos homens das cavernas.

(Inês Fonseca)

Voltamos sempre ao mesmo jogo. Que tal um diferente?

(Joana)

Xadrez?

(Tatiana)

Não sei jogar.

(Mafalda)

Damas?

(Maria Letícia)

Seja o que for, que seja algo que todos apreciemos e que não tenhamos que tornar algo infinito em algo finito, porque certezas só temos a morte. Portanto o resto é deixar acontecer sem meter muitas balizas à volta!

(Samuel Santos)

Amontoado de pensamentos

 Sobre o exercício que fizemos em aula, tentei iniciar uma conversa filosófica, mas os meus queridos colegas trocaram-me as voltas. Decidi fechar então com um poema composto por algumas palavras que usaram nas suas frases. Obrigada, colegas marginais!

Pensar já dói muito. Fiquei desabituada, era criativa e agora, se me pedem para dizer a primeira palavra que me vem à cabeça, digo “maçã”.                                                                 -Marta                       

                                                                                                                                                                            

 

Já a mim a dor esta em de de na cabeça não vir a palavra maçã um ganda bolo de chocolate                                                                                                                                                           

                          -Anónimo

 

Quando é que o paladar se tornou o sentido principal? Temos 1, 2, 3, 4, 5...

                                                                                                                             -Inês Fonseca 

 

Temos o quê? Números? Sentidos? Esta malta não é nada específica e acha que me chamo Maia para andar a adivinhar. 

                                                                                                                          -Matilde Cabana

 

Bem, que profundo...Não sei qual será a qualidade da minha reflexão sobre palavras no penúltimo dia do semestre, mas já que estamos a falar em números, até agora já se contam umas 70! (inventei... não me apeteceu contar...)

                                                                                                                               -Carolina F. T.

 

Se tenta, mesmo. Nem tentes, Carol. Estamos em línguas, não me lembro da última vez que usei uma calculadora...

                                                                                                                              -Inês Fonseca

 

Eu sei que foi no 9º ano. Copiei as respostas de uma colega. Resultado: ela tirou positiva e eu negativa (muito fraco); ainda não entendi o que fiz errado.

                                                                                                                              -Diana Oliveira

 

Mas eu acho que descobri, foi os 86% deveres *palavra que não percebo*

                                                                                                                                      -Anónimo

 

 

Pensar já dói,
na cabeça,
em de de maçã.

Fiquei desabituada.
Era criativa,
e agora a dor não vem.
A palavra? Maçã.
Um ganda bolo de chocolate.

Quando é que o paladar
se tornou o sentido principal?
1, 2, 3, 4, 5...
Temos o quê?
Números? Sentidos?
Esta malta não é nada específica.

No penúltimo dia,
70 palavras ou mais,
(ou inventei, não sei).

Se tenta,
não tentes, Carol.
Línguas,
sem calculadora.
Positiva, negativa,
muito fraco.

Resultado?
86%.
Deveres.

Inquietações natalícias

Deixo aqui o exercício feito em aula: 


Daqui a cinco meses não sei bem por onde vou andar

Talvez vou comprar um carro para poder explorar. 

Pensando melhor, vou fazer um caminho de rolamentos 

Ou aos meus alunos vou transmitir os meus ensinamentos.


Também não sei onde vou andar. Até lá vou andar atoa, pode ser que encontre o meu caminho 

Será que fico por Lisboa? Será que saio de Portugal?

Isto aqui é bonito, mas quero explorar! Não me levem a mal...

Vou partir pelo mundo fora e como o Cavaleiro da Dinamarca só volto no Natal. 


E enquanto o tempo passa, a saudade vai-me ensinar que o coração encontra sempre o seu lugar. 

O museu da inocência

Para a Cecília e para o Tiago


Este ano uma colega minha morreu. A Cecília. Com 67 anos. Ainda era nova, podia ter vivido mais uns anos, mas também podia ter vivido menos. 67 não é mau de todo. É mau, mas não mau de todo. Eu estava a arrumar coisas no gabinete que partilhávamos e descobri trabalhos que ela guardara de alunos de há muitos anos. Reconheci o nome de alguns deles. A um deles, desses alunos que chegavam novinhos em folha à faculdade, perplexos como querubins, eu ia ver por acaso daí a uns dias. É agora um quarentão bem instalado, bem casado, feliz com a sua vida e a sua carreira. É uma alegria que ultimamente não tenho assim tanto, a de ver ex-alunos felizes, prósperos, bem casados e com uma boa carreira, vá lá saber-se porquê.

A Cecília e eu somos do tempo em que guardávamos trabalhos de alunos, e também somos do tempo em que muitos dos nossos alunos gostavam que lhes devolvêssemos os trabalhos. Aqui devo dizer que é algo que sempre encorajei, inclusive contando o meu caso. A minha mãe guardou um poema que lhe dediquei quando eu tinha 10 anos, cheio de rimas em ão e ãe, mas que hoje fazem parte do meu museu interior. O meu museu da inocência, para citar o título de um belo romance do único Nobel turco, Orhan Pamuk.

E isto de guardar o que escrevemos, mesmo que apenas para a escola, funciona até com livros. Lembro-me de um livro que li aos 18 anos e adorei, o ‘Fragmentos de um discurso amoroso’ do Roland Barthes, um livro híbrido, meio ficção, meio crónica, meio enciclopédia, meio autobiografia. Aliás, foi o segundo ensaio que li a dar-me um prazer estranho e comovente.

O primeiro fora ‘Unidade e diversidade em Fernando Pessoa’, de Jacinto do Prado Coelho (o pai do Eduardo), que salvo erro li aos 14. Ainda acho que é o melhor livro sobre Fernando Pessoa alguma vez escrito. Ambos me deliciaram e tornaram claro para mim uma coisa simples: que ler um ensaio luminoso pode dar tanto prazer estético como ler um romance. Mais até do que muitos romances, sobretudo se cheios de clichês e apenas confirmando o óbvio. 

Gostei muito dos ‘Fragmentos’ e, como o livro era meu, sublinhei. É o que digo aos alunos. Sublinhem os livros, escrevam nas margens, para isso Deus criou as margens nas páginas. E respondam ao texto. Faço sempre a piadola à pai: “Mas primeiro comprem o livro. Se for vosso, podem fazê-lo.” E ainda hoje guardo o meu exemplar do ‘Fragmentos do discurso amoroso’, esse romance-ensaio, viagem, enciclopédia do amor, escrito por um homem que diz logo na epígrafe: “Eu sou um escritor, mas também sou um professor de literatura, também sou um ensaísta, um linguista, um filósofo, um francês… mas além disso sou alguém que ama e que amou. Pode-se lá viver sem amar, como dizia Júlio Dantas.

E eu tenho lá ‘respostas’ nas margens do meu exemplar, umas ingénuas, outras pertinentes. Às vezes indignei-me: “Não é assim!” Outras concordava. Noutras começava a divagar e a fazer longas notas de rodapé. Comentários sobre um texto que já era ele próprio comentário, um livro que já de si era um comentário, à linguagem e á gramática e aos lugares do amor.

E tento sempre dar esse exemplo aos meus alunos. Infelizmente hoje em dia eles estão a mudar. Não têm memória de si mesmos, não querem ter memória de si mesmos. O ano passado tive uma desfeita, devolvi-lhes trabalhos e testes e eles não quiseram. (Terá havido um com interesse em guardar o que escreveu nas aulas.)

A turma deste ano suspeito que irá pelo mesmo caminho. Ou talvez não, só amanhã saberei. Mas pude dar um belo presente de Natal ao meu ex-aluno já quarentão: o trabalho que, vinte e tal anos antes, ele fez no primeiro ano de faculdade para a Professora Cecília Barreira. E sei que adorou, porque me deu um abraço.  

Notas finais

Aqui está a minha proposta de notas finais, ainda não lançada. Qualquer dúvida, favor contactar o professor. O exame de melhoria em janeiro não baixa a nota final atribuída, pode apenas não a subir. 

Ana Luísa Machado – 15

Ângela Ferreira – 16

Anton Sagrera – 19

Bárbara Rafael – 18

Branca Ferreira – 17

Carolina Fêo e Torres – 18

Catarina Gabriel – 18

Diana Oliveira – 17

Fernando Rúa Figueroa – 19

Frederico Moreira – 18

Inês Filipa Fonseca – 19

Inês Ruivo – 17

Inês Gonçalves – 17

Íris Oliveira – 17

Joana Rodrigues – 15

João Lucas Andrade – 15

Laura Nunes – 16

Letícia Figueiredo – 18

Luís Vieira – 18

Mafalda Águas – 17

Maria João Reis – 17

Marília Cruz – 18

Marta Pinhal – 20

Matilde Cabana – 19

Pau Baque Margarit – 19

Rita Manique Silva – 18

Samuel – 18

Tatiana Mesquita – 16


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Só podia ser mesmo coisa de americanos...

 

    Ouvimos por vezes em aula dizer que se algo não é bom então é porque é bom. Nesse sentido, não é que andam a dar um toque assim mais mágico já que estamos no Natal ao colocar olhinhos nas múltiplas figuras da via pública do EUA. Cá entre nós fica muito mais interessante dessa forma do que estar eu dentro da minha linda cabeça a imaginar como ficariam com olhos. 

    Bem na verdade com isto posso também dizer que ao menos não sou o único maluquinho que tenta dar alegria ao que parece ser só mais um pretexto ou para fazer uma rotunda ou então só para desperdiçar o tanto de dinheiro que há, mas que, depois para dar a quem trabalha coçam para dentro. É ou não é verdade? Bem com isto ficamos com mais uma das lindas peripécias que acontecem no nosso mundito e que sendo honesto também devia ser aplicado cá, de maneira que pelo menos as nossas rotundas fossem menos entediantes. Olhem bem como fica muito mais expressivo e elegante!






Merry Christmas, Mr. Lawrence

Porque estamos quase no Natal e uma vez que as letras das canções são muitas vezes consideradas paraliteraturas, partilho convosco uma das mais belas músicas criadas (e que não será certamente uma paraliteratura).


RMS

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Beatas

 



        Estas almas, caridosas, estão a ver o quê? 
        A) A rapariga dos espirros; 
        B) O colega de que tanto gostam; 
        C) O misterioso veículo com dois volantes; 
        D) As árvores bonitas. 










       

Três escritoras refugiadas

 A associação Renovar a Mouraria fica mesmo antes de começar a rampa da rua da Madalena. É no Beco do Rosendo 8, e é uma pérola escondida. As autoras deste livro a três mãos são escritoras de pleno direito mas, por percursos de exílio, estão em fragilidade e aqui encontraram refúgio.

O livro é bilingue.

Falo da autora que conheço: 

Margarita tinha uma obra, era uma escritora publicada, quando teve de abandonar o seu país, creio que "por ofensas aos bons costumes". Tenho muita admiração por ela.


A escritora argentina contou que chegando a Portugal teve a sorte de, na mesma semana, Di Maria ter sido notícia pelas ameaças de que a sua família era alvo.





sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Mais uma do "NOVA em folha"!

 A edição de dezembro/janeiro já se encontra disponível online, sendo prevista a edição física para a semana que se segue (corram que ela esgota depressa!). Destaco o artigo anónimo da página 15: trata-se de uma entrevista a um professor da FCSH, que aborda o panorama que nos (alunos) é oculto. 

«Houve uma reunião no fim do semestre com o departamento de línguas e foi aí que a coordenadora do departamento comunicou, a todos os que se encontravam presentes, que este corte seria aplicado no ano letivo de 2024/2025 e que funcionaria da seguinte maneira “A todas as UCs de licenciatura com menos de 10 alunos e todas as UCs de Mestrado com menos de 5 alunos seria aplicado um corte de 50%. Se a UC tem 4 horas, passa a ter apenas 2 horas (2 horas pagas ao docente). Pois no horário oficial continua o horário completo, ficando ao critério do Professor se quer dar aulas que não são pagas.”»

Além desta reportagem, encontram a agenda cultural que nunca desilude, e os jogos de sanita/esplanada no fim. Aproveitem :)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Da obra prima só restou a casca

    Se a notícia já vem tarde e se é interessante ou não coube-me a mim decidir e a verdade é que aconteceu. Às vezes ponho-me a pensar onde é que certas pessoas vão buscar dinheiro só para deitar pela goela abaixo. Será que têm uma árvore no quintal? Digam! É que se tiverem quero que me deem um pé dessa planta. 
    Isto tudo porque, após ter saído a notícia que o professor até teve o gosto de publicar sobre a banana que valia 6 milhões, não é que o homenzinho decidiu comê-la para se saciar. Um pouco estranho talvez porque que é assim, 6 milhões sacia a carteira durante um bom tempo, mas agora a banana só lhe sacia umas horas.  Está bem que ele diz que comer pode também fazer parte do processo da arte, até porque não é a primeira vez e há toda uma performance, mas já bem que podia ser a última a ser comida e guardar o dinheiro para dentro talvez. Pelo menos penso eu!



quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Bedeteca

            Em aula, já nos deparamos diversas vezes com exibições literárias no formato de BDs ou filmes de animação. Para além delas e dos breves encontros com estes conteúdos nas livrarias, ou mesmo na presença quotidiana de cada um, são também curiosas as diferentes exposições feitas ao longo do país com o intuito de expandir a cultura deste formato literário e artístico.

             A Bedeteca de Beja, instalada na Casa da Cultura de Beja, é um desses espaços, dos poucos a nível nacional, que organiza eventos que elevam este meio de expressão. Este espaço possui diversos elementos como: 

"um Núcleo de Documentação e Pesquisa, um Núcleo de Cinema de Animação, Cartune e Ilustração, Espaço Internet, um Núcleo de Trabalho (onde os autores podem realizar as suas obras), um Arquivo de Originais e Galeria de Exposições Temporárias. (...) A programação da Bedeteca, mensal, abrange áreas tão diversificadas como a montagem de exposições (já expuseram na Bedeteca cerca de 500 autores de mais de 25 países), noites temáticas dedicadas à banda desenhada e à relação que mantém com o cinema, workshops, encontros, palestras sobre várias temáticas, livros do mês, etc. Todas as semanas se realizam eventos na Bedeteca." (1)

            Um dos eventos que estou mais familiarizada é o "Festival internacional de BD de Beja", que tem decorrido todos os anos em junho. Neste festival para além de diversas exposições de artistas e autores internacionais e nacionais, integra também: o lançamento de livros; conferências; workshops; concertos desenhados; um grande e diversificado Mercado do Livro, entre muitas outras atividades.

            Este género de iniciativas inverte, de certo modo, o estatuto marginal tradicionalmente atribuído a estas obras e destaca o seu potencial literário e artístico.


Patola, Inês (2023). Festival em Beja apresenta o melhor da BD nacional e internacional




        (1) - Câmara Municipal de Beja - BEDETECA DE BEJA

O fim do semestre chega a todos


 Sísifo ou ficou cansado de tantas vezes ser usado como exemplo nas aulas de Marginais, ou o facto de ter sido tantas vezes exemplo o convenceu mesmo a inscrever-se nesta Unidade Curricular. Na possibilidade de ter sido a última hipótese, e como bom aluno desta casa, foi de elevador, porque, afinal, é condição (quase) necessária para se aqui estudar. 


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Discussões no topo de torres

 A analogia das duas torres com os bonecos em luta, já desenhados várias vezes no quadro da sala de aula, ultrapassa épocas e respetivas cabecinhas pensadoras. Assume a sua materialização por palavras diferentes, mantendo a sua essência.

Aqui está um excerto da Nona Lição de Hannah Arendt, a respeito da filosofia política de Kant (página 69): 



terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O Cigarro de Bukowski



        Cheguei à idade - na verdade já há bastante tempo - cuja morte atormenta a minha vida. Alguns achar-me-ão parva por dizer tal coisa, talvez o seja por pensar que eles querem saber do que penso. No íntimo, no leito da vida procuro, com uma lupa, responder às minhas perguntas. 

O amor e a morte são os grandes mistérios da minha vida. Vou reformular; como estudante de literatura (mas não precisava de ser) leio, por exemplo, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, José Saramago, Virginia Woolf, Sylvia Plath, etc. Em todos encontro um problema: sentem-se tão assombrados pelo amor e pela morte, especialmente pela última, como eu. Parecem médicos a encontrar patologias diferentes ou a receitar medicamentos. Escrever, ainda que mal, clareia os problemas, com sorte, pode dar respostas. Todavia, estes dois temas não se tornaram mais lúcidos com a leitura ou a escrita, permanecem fantasmas intocáveis, mas palpáveis ao pensamento. São-me superiores - como muitas outras coisas - e provam a minha natureza comum e mediana. 

Bukowski, em Amor, pega no cigarro para tentar definir esse sentimento; como servisse de consolo; como se fosse a substância que arde, mas esta vê-se. O fumo do cigarro é tão poderoso e passageiro como a névoa do amor. Por isso, <<Love is a fog that burns with the first daylight of reality>>. Isto aflige-me e faz com que chegue à conclusão que só saberei morrendo, ou neste caso amando. Tentei arrancar respostas ao meu irmão cientista, pedi-lhe que fizesse misturas malucas e que se fosse preciso podia criar um monstro que matasse a humanidade. Adivinhem? Está tão à nora como eu. 

Por falar em irmão, o que sentirão os meus pais ao olharem para estas duas crias? Dizem-me que é amor, mas não percebo nada disso. Se fosse eu sentir-me-ia inútil: uma de letras e um da ciência e nenhum me ajuda a preparar o jantar.


Bárbara Rafael 

3 de dezembro de 2024


                                                                                                        


Leitura dificílima (ou bueda difícil)

Há uns dias, a minha irmã de 12 anos mandou-me mensagem a pedir sugestões para um livro para ler e apresentar na aula de português. A minha irmã, pior que eu, é da geração alfa, descritos como nascidos já com Ipads embutidos. Felizmente, por ter pais quase com idade para serem avós dela (e com o mínimo de QI), tem gosto por livros desde pequenina. 

Lembrei-me dos livros que li e que me marcaram com a idade dela. Sugeri O Voo da CotoviaMeu Pé de Laranja Lima O Velho que Lia Romances de Amor. Ela ficou entusiasmada, mas quis confirmar com a professora. Claro, ainda sou só uma pseudo professora de português... 

Hoje voltou a casa e disse que eram “muito difíceis para a idade dela" e que devia optar por algo mais "simples". Mais leve. Algo como, sei lá, O Diário de um Banana ou qualquer coisa com “unicórnios” no título.

Agora, uma pausa para reflexão. Difícil? Para uma criança de 12 anos que já lê com fluidez? Com esta lógica, daqui a nada, ninguém lê Clássicos antes dos 30 ou ousa tocar em Camões antes da reforma. Ainda ontem saiu que a palavra do ano era Brain rot, por si só já é engraçado por não ser uma palavra, mas sim duas e também pelo significado que tem. A minha irmã, uma alegada vitima universal deste adjetivo, vai ler na mesma estes livros, mas está sujeita a apresentar Os Três Porquinhos. Sujeita a que não percebam o seu potencial. 

Será que temos tanto medo que as crianças pensem que as queremos proteger do desconforto de aprender? Lembro-me que, com a idade da minha irmã, li livros que nem sabia bem se estava a perceber na totalidade, mas que me deixaram ideias a marinar na cabeça para serem compreendidas ao longo dos anos. Há aspectos d’O Principezinho que sei que ainda não percebo por completo, vem com a idade.  E isso é bom. Ler é suposto fazer-nos pensar, desconstruir e, ocasionalmente, sentir-nos burros — porque é assim que crescemos, acredito eu, ainda estou em fase de crescimento. Só mentalmente, porque vou ter de ficar com a mesma altura desde os 12 anos, pelo menos que algo em mim cresça.

Mas não. Hoje parece haver uma obsessão por simplificar tudo. Livros curtos. Frases simples. Histórias que terminam com moral óbvia e feliz. Como se tivéssemos receio de que as crianças fossem “demasiado inteligentes”. Talvez seja isso. Talvez não seja culpa das gerações mais novas, mas sim de quem está acima. De quem decide. Porque, convenhamos, o pior que pode acontecer a uma sociedade é ter crianças que pensam de forma independente. Porque crianças assim crescem para ser adultos assim. E adultos assim tornam-se perigosos para o status quo. Ainda mais com professores que têm medo de não compreenderem aquilo que uma criança já consegue compreender. 

Portanto, cá estamos nós, a criar um mundo onde se tenta domesticar o pensamento desde cedo. E quando uma criança de 12 anos quer ler Sepúlveda e expandir os seus horizontes, dizem-lhe que não. Que é difícil. Que não é adequado. Eu pergunto: difícil para quem? O que é uma leitura difícil? Será mais fácil entender livros não os lendo? Não praticando? Isto, para mim, é de uma leitura difícil. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

    Não passamos de caracóis, não. Ou de cãezinhos, porquinhos e gatinhos.               Mesmo que com circunstâncias duras, que parecem querer esmagar-nos e cozer-nos vivos, cruelmente, só um passo lento - por vezes, pouco compreendido - nos vai orientando, para novas circunstâncias. Se nos vai calhando ser como somos, também o que será útil para a nossa paz é acreditar no que há de puro e positivo em nós.

     O meu sonho é que nos aceitemos como caracóis, de passo lento, mas atento. Ir pensando e sentindo, assimilando com serenidade o nosso ritmo, diminuiria a nossa ansiedade, talvez nos tornasse mais empáticos, nos fizesse entender os nossos limites e descobrir sensações surpreentes e inspiradoras, pois vividas com maior sinceridade. 

     Sonhar e acreditar, mas também não esquecer que podemos sempre ajudar, no percurso, alguém.

A gentileza de um passo calmo, do nosso passo🐌

       Sendo o mundo diferente de olhar para olhar, e a nossa carapaça-lar a maior influência, até que ponto nos podemos dividir em positivos ou negativos? Pessoalmente, não gosto de ervilhas, mas só o trabalho de as tirar do arroz faz-me aceitá-las e acabar a comer sem reclamar. Às vezes, há dias menos bons que também temos de engolir para chegar aos melhores. No filme «Perfect Days» (2023), de Wim Wenders, é-nos apresentado Hirayama, um senhor que possui o pior ofício (remunerado) do mundo: é empregado de limpeza de casas de banho públicas. Ao longo de 12 dias acompanhamos a sua vida, monótona e aborrecida. São 2h de filme, nas quais a grande maioria dos minutos são ocupados com macacões azuis, utensílios de limpeza e sanitas. Porém, foi nomeado para 39 prémios, vencendo 8. Afinal, qual é o fascínio? Trata-se da simplicidade da vida, que não chega a ser simplória; é uma aceitação do que há de bom até no que há de mau. O filme preenche-se por pequenos momentos que num todo fazem a diferença, como se se tratasse de adições de açúcar na massa do bolo. Nunca chega a afetar diabéticos, mas também não nos deixa a querer mais. É o grau perfeito da existência humana e da sua leveza contra o seu peso, é a «Insustentável Leveza do Ser» (Kundera, M. 1984). A certa altura, no filme, há um diálogo sobre rugas nos cantos dos olhos e outro sobre a sobreposição de sombras humanas, orientando-nos para a marca que deixamos (ou que queremos vir a deixar) em nós e no mundo que nos rodeia. Em «Perfect Days» temos a filosofia (PhD) abordada nas aulas; a importância da forma sobre o conteúdo, por meio da banda sonora espetacular; e o futuro imaginado/concretizado nas ruas de Tóquio e nos visuais de tirar o fôlego. É o apogeu. 



        Noutro tom, e relembrando a reviravolta apresentada hoje com a música «Não Venhas Tarde» (1959), de Carlos Ramos, retomo o ímpeto dos contadores de histórias portugueses. Narrativas correm-nos no sangue desde os primórdios da existência, aliás, somos conhecidos por acrescentar pontos aos contos, e por termos câmaras de vigilância vivas em cada janela, dando voz aos contos rebuscados. Criando temas para conversas de café, à mesa e com o café já servido, possuímos a carta da criação de surpresa na manga. Numa letra onde o entusiasmo é colocado ao colo da mulher, Carlos Ramos apresenta uma visão antagónica ao que se sucedia aquando do lançamento da música. Era o homem quem andava na boa vida, e tinha a mulher em casa a potenciar-lhe a vida boa. Eis o elo de surpresa de 1959. Em 2001, Camané chega-se à frente e, inspirado por esta narrativa, oferece-nos o suspense adequado à altura com «Ela tinha uma amiga». A letra, escrita por Manuela Freitas e José Mário Branco, aborda uma situação semelhante, porém inversa. É o homem que espera pela mulher e que, no fim, decide contentar-se com a amiga que lhe transmite as más notícias diárias. Ambos os cantores adequam as suas músicas aos tempos, assimilando o que seria entusiasmante para os recetores e o que os colocaria nas bocas dos velhos dos cafés. Ambos foram bem-sucedidos. Realmente não passamos de caracóis com lares circunstanciais às costas.

Um poema conjunto

  Estava na aula de Literaturas Marginais                               E achei que não íamos trabalhar mais Mas o professor mencionou as no...