terça-feira, 17 de setembro de 2024

Sumários

 Aula 1 (18/9) — Apresentação do programa, dos critérios de avaliação, do modus faciendi da cadeira e das datas de frequência e exame. A participação no blog é importante. Indicada ainda a primeira tarefa: ler «Comunidade» de Luiz Pacheco. A fechar, o interessante trecho de abertura do filme Valerian (2017), ao som de David Bowie.  

Aula 2 (23/9) — Dois casos de «escritores marginais» conforme a convenção: Luiz Pacheco e Charles Bukowski. Apresentação de alguns textos. Conversa sobre a interessante camisola do aluno Erasmus Fernando. 

Aula 3 (25/9) — Exercício em aula: comentar a «Comunidade». Notícia de uma infelicidade: a atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan em 2017 pôs em causa o bom funcionamento da disciplina? Dois casos cómicos de preconceito que dá errado: a acompanhante em foto de escritores e a esposa do Presidente croata. 

Aula 4 (30/9) — Homenagem a Kris Kristofferson, que abraçou Sinead O'Connor num dia mau. 



Na maratona, os precoces (MEC, Orson Welles, Rimbaud), os regulares, os serôdios (Saramago, Fernando Campos). 

Ser "contra os valores dominantes" não signica não ter valores.

Entrega dos trabalhos.

Leitura acompanhada: parênteses, vírgulas, pontos, pontos vírgulas, travessões, colcheias, semicolcheias, reticências. E os mais matreiros de todos, os invisíveis: pausas, parágrafos e a #€@ da minha mulher a chamar-me inteligente, perdão, inteligente

Outubro

Aula 5 (2/10)



Aula 6 (7/10)

Aula 7 (9/10)

Aula 8 (14/10) - 1. A incompetência alheia

1.1. A lambisgoia

Cheguei à aula mais cedo, havia uma professora ainda lá dentro a acabar com toda a calma os seus trabalhos, pigarreei, finalmente ela percebeu que eu já estava ali à espera e saiu com um sorriso: "Vai dar aula agora?" Sim, ia. Não a reconhecia e disse-lho: "Veio substituir o seu colega?" Ela respondeu espantada (o desaforo!) que não havia colega nenhum, desde o princípio do semestre era sempre ela que dava ali a aula. Aí irritei-me, porque ninguém faz de mim parvo. "Oiça, eu já vi muitas vezes o seu colega a dar a aula antes de mim!" E ela fazia que não percebia, a grande badameca. Até que perguntei: "Qual é a sua cadeira?" E ela disse que era qualquer coisa como Teoria da Linguística. Aí franzi o sobrolho: "Em que piso é que estamos?"

Era no dois e não no meu, o três. Verdade disse eu quando disse que não preciso que façam de mim parvo. (Para isso estou cá eu.)

1.2. Neste episódio, esqueci um princípio basilar: não partir do princípio de que eu tem sempre razão.  Talvez seja essa uma das boas lições das artes em geral e da literatura em particular, aceitar que nem sempre eu tem razão. 

2. Castelos no ar

O que não é necessariamente mau. Talvez seja interessante haver quem não queira ter razão, num mundo onde há castelos de gente cheia de razão, que sabe mesmo o que é bom, o castelo da religião, o castelo da política (o meu partido é o bom), o castelo da ciência (se diz que é ciência já nem precisamos de cumprir o método científico da a) tentativa e erro, b) verificação dos processos que levaram ao resultado X), basta a bata branca, como nos anúncios publicitários. 

2.1. No meio dos castelos, uma cabeça indefesa de um corpo indefeso enterrado na areia. De fora, só a cabeça. E é bem fácil vir alguém de cima e dar, com um taco de golfe, uma bela tacada. 

3. Como ler um texto?

3.1. Exemplos: dois casos de filme onde a banda sonora modifica o que vemos.

3.2. Quando chego a casa cansado, já sem neurónios, ligo a televisão - e hoje em dia nem preciso de me levantar, há o telecomando, abençoado telecomando que me permite mudar de canal sem ter de me levantar do sofá. Encontro por fim uma sitcom (comédia de situação), vou descontrair, é para rir. Mas como, de tão exausto sou, saber onde devo rir? Estou tão de rastos que já nem sei distinguir o que é engraçado ou não. Felizmente, a TV resolveu-me o problema, ao pôr gargalhadas enlatadas a assinalar quando devo rir, tal como os sinais da produção para o público em estúdio.

3.3. Em criança, a primeira bicicleta onde andei tinha rodinhas de lado, para me ajudar a não cair. Era bom, assim não esfolava os joelhos, mas assim eu tinha a ilusão de autonomia sem de facto ser autónomo. Um texto sem rodinhas é mais difícil e no própximo exercício daremos todos o exemplo disso. 

4. Húbris. O mito de Ícaro e as suas asas de cera. 

5. Exercício 5 em aula: comentar "Tafas, um pincel nosso". 

5.1. Algumas dicas a posteriori sobre que tipo de texto é este.

5.2. O narrador não será um perfeito mentecapto? Vejam como ele se perde sistematicamente em ninharias e se revela um odre de vento pomposo.  

6. Como ler?

6.1. Nada de angústias: sem ir ver «as soluções», ninguém sabe ler. 

6.2. Eu não sei. Tenho obviamente experiência acumulada, um grau académico & etc., mas nem isso é garantia de que, perante um texto, eu saiba como o ler. 

6.3. Por isso, se todos estamos às cegas, talvez não ter medo do texto seja uma boa ideia. 

Aula 9 (16/10)

aula 10 (21/10)

Aula 11 (23/10)

1. Conflito e teatro

1.1. O conflito reduzido ao osso: duas partes reclamando duplamente a razão e o equilíbrio mas saltando ambas ao pé coxinho: «Eu tenho razão, eu tenho a razão, eu sou equilibrado, ela/e é desequilibrada/o.»

1.2. Duas experiências do docente hoje: uma tentativa de roubo no metro, uma picardia num engarrafamento. 

Mostrando atenção, uma aluna questiona: «Mas afinal vossemecê veio de transportes públicos ou carro próprio?»

Boa questão. Qual das anedotas é real, se é que alguma é real? Mas ambas de certo modo são reais porque ambas ocorreram contar ao docente. 

2. Lei humana: Só se imagina o que se conhece.

2.1. Camões e Sófocles adivinharam muito antes o que António Damásio e Freud descobriram. 

2.2. Condição humana: entre deus e animais. 

2.3. E se o momento bíblico de Abraão fosse uma instrução sobre o princípio de justiça? Sê justo sem olhar a quem. (O oposto do tribalismo, certo? «O meu Benfica tem sempre razão.» «Diz-me quem fez a falta e eu então decidirei se foi grave ou não.»

3. Da Rap Battle à Cantiga ao desafio

3.1. Alguns exemplos

3.2. princípio do conflito: duas partes tentando desconcertar a outra

3.3. Exercício 10: faça um conflito em BD

3.4. FMI (1979) de José Mário Branco. Numa voz, muitas vozes.  

Aula 12 (28/10)

1. Mitos lembram rodas, de tanto caminharem ao longo do tempo

1.1. Sansão e Aquiles, a mesma luta: cabelos & calcanhar.

1.2. O santo padroeiro dos que falham mas não desistem será Sísifo? 

2. Grandes mestres da narrativa/ler BD

2.1. Vocês mesmos. Ninguém falhou, todos resolveram bem o improviso da aula anterior. Como? Onde aprenderam? Como aprenderam? 

2.2. Apresentação de algumas histórias da turma

2.3. Lemos quadrinhos como lemos um livro. 

3. Do conflito

3.1. O teatro é o espaço por excelência, seguido pelas cantigas ao desafio, batalhas Rap

3.2. E também pelo romance, novela, conto. O tamanho importa: num texto breve, há menos personagens, um conto pode mesmo ter só um ponto de vista, o romance tende a ter mais em confronto direto ou indireto

3.3. Até um poema pode ter conflito, mas é mais raro e, geralmente, do poeta consigo mesmo

3.4. «Transforma-se o amador na cousa amada, diz o stôr?» 

3.4.1. E, se em mim tenho a parte desejada, que mais posso eu desejar - é isso, stôr?»  

3.4.2. «Mas...» - assim começa o primeiro terceto deste soneto de Camões. Todos experimentámos já, numa conversa, alguém está à espera que o outro pare de falar para dizer: «Sim, sim, mas...» 

4. Preconceitos & poder

4.1. Não haverá alemães preguiçosos?

4. 2. Ingrid e a barbárie em 1961: o quando tem alguma importância, não?

4.3. PIGS > PIIGS > GIPSI. Uma história de acrónimos aparentemente inocentes




Aula 13 30/10) - Aula dos três exercícios

Exercício de leitura: cartoon da fogueira. Exercício de parvoíce: o sentido da vida.

Exercício de tiro ao alvo: para que serve a poesia. 

Novembro

Aula 14 (4/11) - Leitura criativa

Foi a chave para o vosso trabalho de casa. 


Aula 15 (6/11) - Fardas e gavetas

1. A disciplina podia chamar-se «Cadeira contra as gavetas»

1.1. As gavetas e as fronteiras ajudam. Mas também podem desajudar.

1.2. A literatura como uma das artes. Menos do que falar das margens, a ideia é lembrarmos que elas existem... e que desde há século e meio que é lá que se fazem muitas das coisas mais interessantes nas várias artes

1.3. «Isto não é poesia!» pode ser um belo elogio. 

1.4. A arte, ao contrário da política, não pode ser referendada

2. Ler para navegar o caos do labirinto

2.1. O fio de Ariadne

2.2. Minha mãe enviou-me à floresta - primeiro dia fora de casa

2.3. «O mito é um nada que é tudo»? Porquê?

3. O estranho caso do Público Enganado

3.1. The Producers, de Mel Brooks

3.2. Os Felizes da Fé e as verdadeiras manifestações contra o tempo

3.3. O cliente tem sempre razão? Mesmo a ler um poema? Teremos sempre de «explicar»?

4. Na foto com Paddy Cosgrove (CEO da Web Summit) com o primeiro-ministro e o presidente da câmara, quem está mesmo de farda? 










Aula 16 (11/11)

Aula 17 (13/11)

Aula 18 (18/11)

Aula 19 (20/11)

Aula 20 (25/11)

Aula 21 (27/11)

Dezembro

Aula 22 (2/12)

Aula 23 (4/12) - Não há aula, por deslocação de serviço

Aula 24 (9/12) - Não há aula, por deslocação de serviço

Aula 25 (11/12) - Frequência escrita

Aula 26 (16/12)

Aula 27 (18/12)

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