O amor e a morte são os grandes mistérios da minha vida. Vou reformular; como estudante de literatura (mas não precisava de ser) leio, por exemplo, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, José Saramago, Virginia Woolf, Sylvia Plath, etc. Em todos encontro um problema: sentem-se tão assombrados pelo amor e pela morte, especialmente pela última, como eu. Parecem médicos a encontrar patologias diferentes ou a receitar medicamentos. Escrever, ainda que mal, clareia os problemas, com sorte, pode dar respostas. Todavia, estes dois temas não se tornaram mais lúcidos com a leitura ou a escrita, permanecem fantasmas intocáveis, mas palpáveis ao pensamento. São-me superiores - como muitas outras coisas - e provam a minha natureza comum e mediana.
Bukowski, em Amor, pega no cigarro para tentar definir esse sentimento; como servisse de consolo; como se fosse a substância que arde, mas esta vê-se. O fumo do cigarro é tão poderoso e passageiro como a névoa do amor. Por isso, <<Love is a fog that burns with the first daylight of reality>>. Isto aflige-me e faz com que chegue à conclusão que só saberei morrendo, ou neste caso amando. Tentei arrancar respostas ao meu irmão cientista, pedi-lhe que fizesse misturas malucas e que se fosse preciso podia criar um monstro que matasse a humanidade. Adivinhem? Está tão à nora como eu.
Por falar em irmão, o que sentirão os meus pais ao olharem para estas duas crias? Dizem-me que é amor, mas não percebo nada disso. Se fosse eu sentir-me-ia inútil: uma de letras e um da ciência e nenhum me ajuda a preparar o jantar.
Bárbara Rafael
3 de dezembro de 2024
Sem comentários:
Enviar um comentário