Quem abriu o comentário, poderia estar potencialmente à espera de procurar uma boa razão para ter aproveitado a baixa no preço dos bilhetes de cinema ou então só ir simplesmente ao cinema. Não é verdade?
Bem, como um bom português que também sou, e como nunca se nega um bom desconto, aproveitei e dei uma oportunidade à sequência do filme de Parker Finn “Smile 2”. Uma oportunidade, porque a verdade é que não gostei do primeiro. Porém, se algo que eu aprendi foi a não julgar o livro pela capa e, assim, influenciado por determinadas plataformas digitais, submeti-me a ficar sentado duas horas numa cadeira a ver o filme. A verdade é que como poderão percecionar não chegaremos tanto ao ponto de discutir se o filme era realmente bom ou não, uma vez que qual é a legitimidade que tenho para o afirmar, não é? Ao invés disso, toco em algo que anteriormente foi dialogado em aula sobre a ilusão e desilusão, no caso sobre o filme “Joker” que a minha colega Marta já teve oportunidade de falar, e que me fez escrever um pouco sobre o filme a que assisti.
Não pensemos tanto no lado de ilusão e desilusão só por parte do público, mas sim da protagonista com o público. Vemos que através dos múltiplos episódios maníacos, a personagem principal, Skye, apesar de no início começar a duvidar da possibilidade de estar a ser controlada, a verdade é que nós próprios nos damos conta de que a personagem a determinada altura já não concebe a capacidade de distinguir o real do imaginário.
Pelo menos, eu enquanto consumidor do filme deparei-me no final com a ilusão que ela própria estaria a experienciar, porém esse é um ponto em que voltarei mais à frente. Assim, à medida que a ilusão vai dominando cada vez mais a cabeça da protagonista, à qual ela pensa estar a combater, vemos que tudo não passaria de uma ilusão criada pela sua mente e que acaba em tragédia.
Como anteriormente mencionei, até eu, a determinada altura senti-me confuso de qual das opções seria a real e a imaginária. Isto pelo facto de que a fusão que se dá entre o ilusório e o real faz emergir um sentimento de desorientação tanto para ela como para nós próprios que estamos a tentar seguir o filme. Tal como ela, nós enquanto espectadores começamos a questionar-nos cada vez mais do que se revela ser real e o que não é. Ou seja, o filme consegue fintar o espectador, fazendo com que, a determinado ponto, fiquemos também desorientados. É um jogo entre a maldição para com Skye e o filme para connosco, com o objetivo de cair na mesma armadilha.
No entanto, não me posso deixar ficar aqui em termos da desilusão que senti. Não posso omitir o facto de que pensava que seria desta que alguém conseguiria acabar com a maldição, mas penso que não seja só eu, mas sim todos aqueles que estariam na sala e de certo modo o desfecho pode ter, pelo menos em mim, alimentado mais a chama de desilusão que esperava de certa forma por uma grande reviravolta. Mas será desilusão ou estou simplesmente irritado por um filme ter fintado a minha expectativa?
Não é que o filme esteja inteiramente mau, a capacidade de produção é espantosa. No entanto, como todas as opiniões divergem, felizmente, o filme comprovou aquilo que potencialmente estaria à espera de ver. Principalmente pelo desfecho que teve. Pois eu pergunto-me o mesmo! Que desfecho? Nem eu sei de certa maneira. Acho que teremos de esperar mais dois anos para ver o terceiro filme e será que irei? Sempre ouvi dizer que à terceira é de vez!
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