sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Análise poética de coisa nenhuma

 

A última aula pesou-me particularmente, sobretudo o final, quando os holofotes saíram de reflexões acerca de locos e sábios e dedos, de peixes e pescarias, de significados ocultos, de “isolado vem de ilha”, comentadores que não são analistas e se voltaram para um poema de Adília Lopes.

Já não tinham sido poucas as vezes que me tinha cruzado com poemas de Adília Lopes, porque, igualmente, não tinham sido poucas as vezes que me tinha ocupado de os ler, de pé, em frente a uma qualquer estante da Bertrand (em minha defesa, também vou a alfarrabistas, afinal, gosto que o diário que trago no meu bolso e que me custou apenas um nome de usuário e uma palavra passe fique mais aesthetic (parênteses dentro de parênteses para dizer que não sou gen z suficiente e tive que pesquisar esta palavra: desculpem algum misspelling) e que por isso também vou a alfarrabistas #alfarrabista #chiado #cultura).

Regressando a Adília, nunca me tinha ocorrido a voz de menina inocente e meio taralhoca que foi apontada em aula. Perturbou-me. Mexeu comigo. #fellings #poemas #sensibilidade

Tentei esquecer e a minha tentativa foi completamente falhada: ora abro o Instagram e me deparo com um poema acerca de um bule #cozy #fazpensar, ora venho ao blog e deparo-me com o comentário “Lutar com peixes pela vida ou pela morte” (achei poético, já agora, bem escrito por sinal).

Pensei: vou ouvir a voz da própria, decerto que me estou a deixar levar pelo único doutorado na sala (ui imaginem lá que agora há mais algum e que acabei de assumir algo errado! Que medo!). Mas não. Adília Lopes soava exatamente como a rapariguinha inocente que levou com uma pedrinha na cabeça que tinha imaginado em aula.

Pergunto-me: soa ela mesmo assim? Ou estará a minha mente a corroborar com uma profecia autorrealizável?

Deixo-vos o desafio de fazerem este mesmo exercício. #somostodosmuitocultos.

 

Matilde Cabana

1 comentário:

  1. Adiciono às duas hipóteses colocadas em jogo uma terceira: a voz mental é atribuída conforme as carapaças dos caracóis desenhados no quadro nas últimas 2 aulas. Há uma lógica sensível/suprassensível escondida na nossa bagagem. O doutorado da sala tem tanto direito em ouvir assim, como nós, comuns mortais, temos em ouvir assado. #mandavirmaisdesafios #aestheticestábemescritoebemutilizado #genznutella

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