A visualização de "Andrei Rublev", de Andrei Tarkovsky, não me deixou indiferente e impulsiona-me a escrever.
Mesmo que saiba que, infelizmente, tal represente só mais um exemplo daquilo que é a manifestação do Poder por via da violência, ver a cena em que a personagem do rapaz (Ivan, creio) pede para açoitar um dos sineiros, simplesmente por este se recusar a fazer uma tarefa, trouxe-me uma imensa sensação de revolta. Deu-me nojo, pois observo cada vez mais de perto como há quem use uma posição considerada socialmente superior ou a vulnerabilidade que encontra de maneira mais acessível para agredir, gratuitamente e de forma irresponsável, outras pessoas, das mais variadas formas (muitas das vezes, emocionalmente), provocando inúmeros danos.
Como dito no filme, "Não se atreverão a ofender a Loucura". Ela, de facto, pode intimidar, pela presença inquietante que representa, quer exista para resultados positivos, quer para negativos ou nem sequer ponderados.
Sob qualquer forma que adote, a Loucura tem a capacidade de revelar coisas que nunca pensaríamos poder existir. É ela que leva Ivan a aventurar-se na invenção de uma mentira, a esconder um segredo sobre ter um segredo. No final de contas, foi por aí que ele motivou um desejo e uma concretização coletiva benėficas, uma ambição que se revelou a de todos. Talvez sentisse que fosse a única forma, numa sociedade tão desigual, de o valorizarem e às suas ideias.
Pouca coisa sei garantir, mas estes aspetos só me fazem lembrar do quão urgente ė estarmos atentos às loucuras do mundo. Penso que as que nos trazem uma "energia de Paz" e algo que nos faça expandir agradavelmente a mente não são um caminho perigoso. Mas, há as que são egoístas e insensíveis e, como prova "Andrei Rublev", nem tudo o que se diz é verdadeiro e nem tudo o que ouvimos merece a nossa crença.
Tendo em conta que somos os construtores dos sinos da vida, creio ser prudente pensarmos sempre, com coragem de procurarmos ser o mais sensatos e verdadeiros, se eles nos fazem real setido.
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