“O Sacristão”
de Somerset Maugham
O conto “O Sacristão” de Somerset Maugham aparenta ser uma
narrativa simples, à primeira vista, contudo, quando se faz uma segunda leitura, conseguimos perceber que transmite lições profundas sobre a educação, mérito e
sobre como nos podemos adaptar face a novas mudanças na vida.
A história gira em torno de Albert Foreman, um sacristão que, após muitos anos de serviço, é demitido por ser analfabeto. Albert sempre desempenhou o seu papel de forma exemplar e o facto de ter sido despedido por não saber ler nem escrever é injusta, uma vez que desvalorizam o seu trabalho e focam-se nas qualificações formais em detrimento da experiência. Face ao que aconteceu, o meu único pensamento foi: até que ponto a instrução é o único fator para podermos julgar o valor profissional do outro?
Após perder o emprego, Albert entra numa crise existencial,
fica pensativo e introspetivo, querendo obter algum conforto no tabaco. Começa a olhar à sua volta à procura de uma tabacaria e, quando percebe que ali não
havia nenhuma, decide ir até ao fundo da rua. Para sua infelicidade, nem no
fundo da rua havia, surgindo o pensamento de que quem criasse ali uma tabacaria
teria grande oportunidade de negócio. Irónico será dizer que esta ideia ocorreu
quando menos se esperava, isto é, uma situação que inicialmente poderia ser o
seu fracasso, é apenas o “trampolim” para algo maior.
Colocando o pensamento em ação, Albert aluga uma loja
tornando-a numa tabacaria, onde faz imenso sucesso. Com o seu lucro, decide investir
em outras ruas sem tabacarias, tornando-se um empreendedor de sucesso.
Em suma, é um conto irónico devido a diversos fatores, sendo um deles
o facto de Albert tornar-se mais bem-sucedido do que os responsáveis pela sua demissão.
O autor, Somerset Maugham, usa esta reviravolta para confrontar as tradições de
sucesso, isto porque o sacristão, aos olhos de todos, era uma pessoa comum, mas
que se mostra um excelente empreendedor com uma grande visão.
Agora pergunto: o que nos faz ficar mais perto do sucesso profissional no decorrer da nossa vida? As
nossas qualificações ou a capacidade de agarrar as oportunidades quando surgem?
Tatiana Mesquita
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