sábado, 19 de outubro de 2024

Entre Sombras e Cicatrizes

            É hilariante pensar se prestarmos bem atenção ao facto de que em todo o mundo ouvimos falar de individualidade/singularidade, mas depois por detrás dos “holofotes” é praticado completamente o contrário. Não é uma conversa dos dias de hoje nem será uma conversa dos dias seguintes. O que serão na verdade os defeitos? Uma simples harmonia de pensamentos ou peculiaridades /alicerces do próprio ser humano?

Diante de um espelho vemos as nossas imperfeições/defeitos como uma sombra que nos persegue toda a vida e que nos parece querer causar a maior dor possível. Somos constantemente sobrecarregados com as opiniões e informações transmitidas pelos demais. A verdade é que essas vozes vão se acumulando nas nossas cabeças e replicando-se tal como as células que nos compõem. Porém, estas são células anómalas que se reproduzem e conseguem modificar todo o sistema, ou seja, como um vírus. Mas não será que ao tentar reproduzir o que os outros querem, nos desmoronamos cada vez mais? 

 Aquilo que por nós é visto como sombras começa a ganhar cada vez mais forma e destaque. Começa a deixar feridas e cicatrizes que queremos posteriormente apagá-las. Só que devemos mesmo apagá-las? Cicatrizes são sinais de luta, superação, conquista que os outros nos tentam retirar querendo que fiquemos como um anjo sem a sua própria alma ou como um edifício sem paredes nem sequer pilares. 

Defeitos não são sombras, não são limitações, muito menos simples decorações. São alicerces que sustentam o nosso edifício, e como um edifício, qualquer pilar faz a diferença. Ao retirar esse pilar não poderá o edifício cair? Ou melhor! Para que retirá-lo? Não é fácil vencer esta luta. É como um labirinto ou como a famosa frase diz  “é como encontrar uma agulha no palheiro”! No entanto, o importante está aí. Pode não ser à primeira, nem à segunda. O que interessa é conseguir ultrapassar, isto é, “falhar, falhar de novo, falhar melhor”. Defeitos podem ser componentes invisíveis, mas são como o cimento. É o que permite que tudo se encaixe formando algo que não deve ser vandalizado pelos demais. 

Uns podem interpretar certos comentários, como este, como desviados do que inicialmente deve ser pensado. No entanto, cada leitor tem a capacidade de abrir uma porta ficcional e seguir o caminho que essa mesma porta oferece. O desafio centra-se em encontrar a chave para abrir essa mesma porta. Enquanto chave ninguém aqui fala em algo material, mas pode ser sim algo como a imaginação, a interpretação ou algo para além do normal. Mas lá está. O que é realmente normal? 


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