Não tenciono adicionar cimento às muralhas até então construídas, nem pôr em causa os esforços dos arquitetos e engenheiros envolvidos, porém...
Um cânone justo teria de englobar obras de salivar sobre, e outras de adormecer sobre, tal qual projeções de sentimentos dos leitores. De que vale ler, se não se sente? Nem que seja revolta pela elasticidade do tempo ter permitido que as nossas garras tocassem em tamanho desperdício. Ora, neste sentido, proporia (para algo numa base de justiça, sem ordem pré-definida, e dentro do nacional que é bom) nomes como: Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Gil Vicente, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Cesário Verde, José Saramago, Herberto Hélder, Florbela Espanca, Ruy Belo, "As Três Marias", Maria Judite de Carvalho, Luiza Neto Jorge, Adília Lopes, Alice Vieira, Lídia Jorge...
É de perder a conta às vezes que entorto a cabeça ao explorar as estantes das livrarias, quando o olhar apanha nomes como estes. Agora, as vezes que realmente levo debaixo dos braços alguma das obras escritas sob tais autores, são completamente contáveis. Acabo por criar, na minha própria casa, o meu cânone, que eventualmente se difunde por mentes amigas, nas trocas-baldrocas de livros. Assim sendo, exponho alguns dos escritores que dele fazem parte: Matilde Campilho, António Alçada Baptista, Valter Hugo Mãe, Miguel Esteves Cardoso, Afonso Cruz, Nuno Júdice, Ruy Belo, Adília Lopes, João Morgado, Madalena Sá Fernandes...
Ficam as questões: Por que não se podem fundir os exercícios propostos pelo professor num só? "Cânone" deve manter-se como uma palavra ameaçadora? Quem é que decide quem pode entrar ou quem é expulso da festa?
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